Athos Bulc√£o

 

Nascido no Catete, Rio de Janeiro, em 2 de julho de 1918, Athos passou sua inf√Ęncia em uma casa ampla em Teres√≥polis. Perdeu a m√£e, Maria Antonieta da Fonseca Bulc√£o, de enfisema pulmonar antes dos cinco anos e foi criado com seu pai, Fortunato Bulc√£o, entusiasta da siderurgia, amigo e s√≥cio de Monteiro Lobato, com o irm√£o Jayme, 11 anos mais velho, e com suas irm√£s adolescentes Mariazinha e Dalila, que substitu√≠ram a m√£e.

Enquanto crescia, passava muito tempo dentro de casa e, por ser muito t√≠mido, misturava fantasia e realidade. Na fam√≠lia havia um interesse pela arte e suas irm√£s o levavam freq√ľentemente ao teatro, ao Sal√£o de Artes, aos espet√°culos das companhias estrangeiras, √† √≥pera e √† Com√©dia Francesa. Athos aos quatro anos ouvia Caruso no gramofone, e ensaiava desenhos sem, no entanto, chamar a aten√ß√£o da fam√≠lia. Chegou √†s artes gra√ßas a uma s√©rie de acidentais e providenciais lances do acaso.

Athos foi amigo de alguns dos mais importantes artistas brasileiros modernos, os maiores responsáveis por sua formação. Carlos Scliar, Jorge Amado, Pancetti, Enrico Bianco - que o apresentou a Burle Marx -, Milton Dacosta, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Ceschiatti, Manuel Bandeira entre outros.

Aos 21 anos, os amigos o apresentaram a Portinari, com quem trabalhou como assistente no Mural de S√£o Francisco de Assis na Pampulha e aprendeu muitas li√ß√Ķes importantes sobre desenhos e cores. Antes de pintar, planejava as cores que usaria e acredita fervorosamente que o artista tem de saber o que quer fazer. Athos n√£o acredita em inspira√ß√£o. Para ele, o que existe √© o talento e muito trabalho. "Arte √© cosa mentale", diz, citando Leonardo da Vinci.

A trajet√≥ria art√≠stica de Athos Bulc√£o √© especialmente consagrada ao p√ļblico em geral. N√£o ao que freq√ľenta museus e galerias, mas ao que entra acidentalmente em contato com sua obra, quando passa para ir ao trabalho, √† escola ou simplesmente passeia pela cidade, impregnada pela sua obra, que "real√ßa" o concreto da arquitetura de Bras√≠lia.

Como diria o arquiteto e amigo pessoal, João Filgueiras Lima, o Lelé, "como pensar o Teatro Nacional sem os relevos admiráveis que revestem as duas empenas do edifício, ou o espaço magnífico do salão do Itamaraty sem suas treliças coloridas?", difícil imaginar. Athos é o artista de Brasília. As obras que aqui realizou foram feitas para o convívio com a população e carregam a consideração por esta cidade e seus habitantes.

Athos Bulcão estava em tratamento contra o Mal de Parkinson desde 1991 no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Faleceu após uma parada cardiorespiratória no dia 31 de julho de 2008, aos 90 anos.

 

 

"Artista eu era. Pioneiro eu fiz-me. Devo a Brasília esse sofrido privilégio. Realmente um privilégio: ser pioneiro. Dureza que gera espírito. Um prêmio moral".    
 
Athos Bulc√£o

 


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